
O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso no aeroporto internacional de Viru Viru, em Santa Cruz, em uma operação contra uma suposta rede de proteção ao narcotráfico. A detenção ocorreu na quarta-feira, 30 de setembro, e foi confirmada pelo governo boliviano nesta quinta-feira, 1º de outubro.
Outras 13 pessoas também foram detidas. Segundo o ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, a investigação aponta para uma organização criminosa infiltrada no sistema de Justiça e no Ministério Público. As acusações anunciadas incluem participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.
Investigação envolve Sebastián Marset
A operação ocorreu após a divulgação de vídeos e áudios atribuídos ao uruguaio Sebastián Marset. Nas gravações, ele teria mencionado uma relação com Mariaca e um pagamento de US$ 500 mil para permanecer na Bolívia e continuar suas atividades, segundo informações divulgadas pela Reuters. O conteúdo constitui uma alegação sob investigação.
De acordo com Oviedo, policiais bolivianos executaram a operação com apoio da agência antidrogas dos Estados Unidos, a DEA. Luis Montaño anunciou que assumiria interinamente a chefia do Ministério Público.
Restrições americanas e contestação da prisão
A detenção aconteceu poucos dias depois de Washington anunciar restrições de entrada contra Mariaca e medidas de revogação de vistos de autoridades bolivianas. O Departamento de Estado acusou o procurador-geral de solicitar e receber propinas para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos a escapar da Justiça. eldeber.com.bo
Mariaca rejeitou as acusações e atribuiu a iniciativa americana a pressões políticas relacionadas a investigações conduzidas por sua instituição. Ele foi escolhido pelo Legislativo boliviano em outubro de 2024 para um mandato de seis anos.
Funcionários do Ministério Público também contestaram a legalidade da prisão e da entrada de policiais na sede da instituição, em Sucre. Em uma transmissão nas redes sociais, denunciaram violações de direitos e questionaram a apresentação das ordens que fundamentavam a intervenção. Essas manifestações representam a posição dos funcionários, sem estabelecer, por si só, a ilegalidade da operação.
Ligação direta com o PCC não está confirmada
As fontes consultadas não confirmam que a prisão de Mariaca esteja diretamente vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A presença de facções brasileiras na Bolívia aparece em outras investigações, mas não deve ser apresentada como vínculo comprovado neste caso.
Em reportagem publicada em 23 de setembro, a agência boliviana ANF informou que a polícia havia capturado, ao longo do mês anterior, cinco pessoas apontadas como integrantes do PCC ou do Comando Vermelho. Entre elas estava uma mulher identificada pelas autoridades como liderança do Comando Vermelho, detida em Santa Cruz.
Na mesma reportagem, a polícia relatou investigar estruturas associadas ao PCC em território boliviano. Esse contexto mostra a dimensão regional do crime organizado, mas não comprova participação da facção nas acusações contra o procurador-geral.
A investigação coloca sob escrutínio a atuação da própria instituição responsável pela persecução penal na Bolívia. O avanço do caso dependerá da apresentação das provas e da análise judicial das acusações, com respeito ao direito de defesa.
Reuters








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